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palavrasfelinas

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Como se flutuasse no espaço de um espelho

 

Aprendi a ver as coisas que se insinuam nos instantes

A fome de ser...que se enterra na cinza das veias

A voz de um tempo assustado

Perto de mim permanecem todos os lumes

Os ventos que se amontoam ao canto do pátio

O susto de conhecer a pele da noite

O momento em que a escuridão penetra no quarto..como uma serpente

As aves que deambulam pelos ares....o silêncio de raízes a crescerem no peito

A chuva cai..lentamente... sobre a loucura das palmeiras

Pergunto à voz aguda dos plátanos...onde fica o susto de te perder

E se eu acordasse e descobrisse que os meus braços penetram na cal das paredes

Se o tempo em que o sono se demorou no sonho...

Fosse como a flor dos hibiscos a murchar nos canteiros

Construo aromas..irrompo pelas raízes das plantas...

Demoro-me a desconstruir a lua...como se sentisse o afago da roupa... nua

Ainda ontem me lembrei de ti...mas permaneci ali...

Como se flutuasse no espaço de um espelho

A tocar na ausência do teu lume

A quebrar-me de encontro ao arrependimento

Como chuva que se apagou...na solidão das portas...fechadas.